domingo, 28 de junho de 2015




TRADICIONALISMO VS LIBERALISMO VS TOTALITARISMO


Nota Prévia: Por Liberalismo e Totalitarismo designam-se os que o são de direita, de esquerda ou de centro, uma vez que os há de todas as orientações.

" A (linha de pensamento político) liberal centra tudo no indivíduo abstracto, bom por definição, negando qualquer valor às instituições sociais, as quais constitui¹* pelo seu Estado de papel.  
A totalitária centra tudo no Estado, tigre que engole o indivíduo, porque (considera que) qualquer liberdade deixada ao homem haveria de ser mal usada por ele e também pela sociedade, a qual substitui por organismos burocráticos.


A tradicionalista, ao invés, acolhe a liberdade individual, tanto como as funções políticas estatais. Todavia, centra o ordenamento colectivo no forjar de uma sociedade constituída por instituições autárquicas e independentes, que servem de barreira contra as extra-limitações do poder do Estado, ao mesmo tempo que põe limites às liberdades concretas dos indivíduos.

O liberalismo assume a pessoa como individualidade que se conta.
O totalitarismo transforma-a em peça da máquina colectiva.
O tradicionalismo toma-a no peso social que efectivamente tem.

O liberalismo fala de liberdade abstracta.
O totalitarismo nega a liberdade por postular a igualdade.
O tradicionalismo considera liberdades concretas, únicas, que salvaguardam a dignidade ontológica igual em todos os homens, fomentando a desigualdade ética com o estímulo à ascensão pelo serviço e pela virtude.

Para o liberalismo o homem é um número que vota.

Para o totalitarismo o homem é uma peça de colecção.
Para o tradicionalismo o homem é um ser concreto: um pai de família, um munícipe, um catedrático, um empresário, um trabalhador, um agricultor, um arquitecto ou um comerciante.

O liberalismo faz do homem um número do censo.
O totalitarismo faz do homem a peça de uma máquina.
O tradicionalismo vê os homens como seres concretos de carne e osso.

O liberalismo ignora a realidade social viva, enquadrando a sociedade num agregado de indivíduos.
O totalitarismo ignora também a realidade social, da que extrai a massa escravizada por um Estado omnipotente.
O tradicionalismo recolhe a realidade social tal como é. Sem desmoroná-la em indivíduos, nem permitir que seja absorvida pelo Estado. Por isso, o tradicionalismo é a concepção política realista por excelência.

O liberalismo dissolve o natural tecido social.
O totalitarismo substitui-o pelo rendilhado aparato estatal.
O tradicionalismo afirma a sociedade na realidade efectiva que ela é.

O liberalismo brota politicamente do optimismo antropológico e resulta logicamente em anarquia.
O totalitarismo brota politicamente do pessimismo antropológico e o seu fim inexorável é a tirania.

Ambos colocam o homem no centro do universo, positivamente os liberais, negativamente os totalitários, porque para ambos é o homem que – tanto no sim como no não – a medida de todas as coisas, a regra única do universo na determinação liberal do bom, como na determinação totalitária do mau.

O tradicionalismo vê no homem um ser sujeito à ordem universal, medido como todos os demais seres do mundo pelas regras emanadas de Deus e somente assim, por sua vez medida relativa de todas as demais coisas. Na sua concepção teocêntrica do Universo, o tradicionalismo é o único humanismo autêntico, por ser o único que não aniquila o mesmo que quer exaltar. Pois o homem está, para o tradicionalismo, no justo meio: com Deus por cima e tudo o mais por baixo. Mas não no lugar de Deus como está no liberalismo, nem no lugar das coisas como está no totalitarismo.

O liberalismo renega a história humana, refazendo-a sobre os moldes da história natural.
O totalitarismo destrói a história humana, ao destruir o indivíduo racional e livre que a faz, por considera-lo membro de uma colmeia ou de uma termiteira. 

O tradicionalismo é o único a aceitar a história humana na integridade dos seus resultados, precisamente porque separa o homem dos animais ao reconhecer-lhe o seu posto primordial no conjunto dos seres criados. "


¹* - alusão à distinção entre instituição e constituição.


- Traduzido e adaptado da obra “Que es el Carlismo?” do “Centro de Estudios Sociales y Políticos General Zumalacárregui”, Escelicer (1971), Edição a cargo de Francisco Elías de Tejada, Rafael Gambra e Francisco Puy.

Nenhum comentário:

Postar um comentário