segunda-feira, 28 de dezembro de 2015



O Aborto e o Argumento do Violinista




A discussão acerca do aborto é das mais interessantes. A pressão para sua descriminalização é imensa. Campanhas publicitárias são feitas para sensibilizar a população. Filmes e novelas são peões sempre presentes neste xadrez cultural; e sempre defendendo as peças pretas. Argumentos jurídicos são sacados. O Poder Judiciário é pressionado para abrir brechas na legislação permitindo a prática do ato em casos não previstos na lei. Inventam-se argumentos (alguns dos mais estapafúrdios, como se verá abaixo) na tentativa de convencer o mundo de que o aborto voluntário é moralmente justificável.

Mas, a prática do aborto é algo tão inumano, tão contrário à natureza, que, curiosamente, os defensores dela, todos ou quase todos, dizem ser pessoalmente contrários à sua pratica.

Nunca se viu uma prática ser tão ardentemente defendida por pessoas que se dizem contrárias a ela. E nunca se viu uma contrariedade a algo ser tão contraditória a si mesma que acabasse se transmutando sempre em defesa tão incondicional daquilo que diz contrariar.

Corre na internet um destes “argumentos” (chamemos assim) conhecido como “argumento do violinista”. Uma conhecida minha, recentemente, pediu-me para escrever algo a respeito. Como eu não sabia do que se tratava, busquei inteirar-me do assunto nainternet. Eis aqui a pérola:
“De manhã (você) acorda e descobre que está numa cama adjacente à de um violinista inconsciente – um violinista famoso.[1] Descobriu-se que ele sofre de uma doença renal fatal. A Sociedade dos Melómanos [dos apreciadores de música] investigou todos os registos médicos disponíveis e descobriu que só o leitor possui o tipo de sangue apropriado para ajudar. Por esta razão os melómanos raptaram-no e, na noite passada, o sistema circulatório do violinista foi ligado ao seu, de modo a que os seus rins possam ser usados para purificar o sangue de ambos. O director do hospital diz-lhe agora: ‘Olhe lamento que a Sociedade dos Melómanos lhe tenha feito isto – nunca o teríamos permitido se estivéssemos a par do caso. Mas eles puseram-no nesta situação e o violinista está ligado a si. Caso se desligasse matá-lo-ia. Mas não se importe, porque isto dura apenas nove meses. Depois ele ficará curado e será seguro desligá-lo de si’. De um ponto de vista moral, o leitor teria a obrigação de aceitar esta situação? Não há dúvida de que aceitá-la seria muito simpático da sua parte, constituiria um gesto muito generoso. Mas teria de aceitá-la?[2]


O argumento teria sido brilhantemente elaborado pela Sra. Judith Jarvis Thomson no Ano da Graça de 1.971 e visa convencer o leitor, por meio de uma “analogia” (novamente, chamemos assim), de que o aborto é moralmente lícito, pois, da mesma forma como o leitor sequestrado no caso não estaria obrigado a sustentar a vida do violinista que depende de seu corpo, uma mãe não estaria obrigada a manter a vida do bebê em seu ventre. Se o primeiro optar por ser bonzinho para com o violinista, ótimo; se optar por não se submeter a esta situação, não estará fazendo nada que não esteja dentro dos limites de sua atuação moral. Da mesma forma, se uma mulher grávida optar por levar adiante sua gravidez, tanto melhor para o bebê; mas, se optar por interrompê-la, ninguém a pode criticar por isto.
 Acho que o leitor entendeu aonde o argumento quer chegar.
Mas há um problema sério com esta “analogia”. E, descoberto este problema, percebe-se o quão equivocada é esta “linha de argumentação”.
 O problema é que a “analogia” desconsidera, por completo, a relação de maternidade existente entre uma mulher e seu filho e inexistente entre uma pessoa qualquer e um violinista dela desconhecido.
 De fato, entre uma pessoa qualquer e um violinista desconhecido, não há relação alguma que obrigue a primeira a sustentar a vida deste último; entre uma mãe e seu filho, existe uma natural obrigação daquela em fazer o possível para viabilizar a sobrevivência deste. A mãe é corresponsável pelo filho, juntamente com o pai, filho esse que não existiria sem ela, ao passo que o violinista não descende da mulher, fato que por si só afasta a validade do argumento.[3]
 Percebe-se, pois, que o argumento, ao contrário do pretendido, não encerra mais do que uma analogia manca, pois uma boa analogia pressupõe semelhança minimamente válida entre os analogados.
 A “analogia”, desconsiderando (na verdade, encobrindo) este dado fundamental, revela-se, agora, como um mero e desonesto sofisma.
 Dou alguns exemplos para deixar claro qual é o meu ponto.
 Suponhamos que uma mulher é sequestrada e conduzida a um hospital no qual está um violinista famoso. Suponhamos que este violinista tenha uma doença rara, porém passageira, e que depende para sobreviver, enquanto a doença não for debelada, de leite produzido por glândulas mamárias femininas. Suponhamos, ainda, que, num azar danado, a única mulher capaz de produzir leite compatível com o organismo do violinista seja justamente a sequestrada. Pergunto: ela tem alguma obrigação moral em permitir que o músico azarado passe meses sugando seus seios?
 Alguém que nos lê responderia afirmativamente?
 Pois, mudemos “um pouco” o quadro. Suponhamos que uma mulher esteja com seu filho recém-nascido e que a única fonte de alimentação viável para o bebê seja o leite materno. Pergunto: a mulher agora tem a obrigação de deixar que a criança dela se alimente?
 O leitor percebe o quanto o dado da “relação de maternidade” altera completamente o quadro? No primeiro caso, a mulher não tem obrigação nenhuma em amamentar o violista; no segundo, se deixar a criança morrer de inanição estará cometendo homicídio por omissão.
 E é esta a exata diferença entre uma mulher manter vivo um violista qualquer e manter vivo o fruto de seu ventre.
 Veja-se outro exemplo.
 Suponhamos que, no mesmo caso narrado no argumento, tenhamos uma violinista mulher, e não um violinista homem. Suponhamos, ainda, que esta violinista calhe de ser justamente a mãe da pessoa sequestrada. Sim: que seja aquela mulher que a carregou em seu ventre por nove meses, que a amamentou outros tantos, que perdeu noites e noites de sono para protegê-la e que deu o melhor de sua vida em função da sequestrada.
 Pergunto: mesmo assim esta última está moralmente desobrigada de sofrer um certo incômodo por nove meses para salvar a vida da mãe?
 Tenho certeza de que, agora, o número de pessoas que responderia afirmativamente a esta pergunta seria muito pequeno, se é que não seria nulo.
 Como se vê, a relação de maternidade muda completamente o cenário, tanto do lado da pessoa que necessita do corpo da sequestrada quanto do lado desta mesma.
 Retire este dado fundamental e qualquer pessoa pode montar a “analogia estapafúrdia” que desejar. Traga este dado para dentro do raciocínio e um quadro absolutamente diverso se descortina.
 E isto, por si só, já basta para que o argumento do violinista seja colocado em seu devido lugar.
 Mas gostaria ainda de tecer algumas pequenas considerações. Vamos lá:
 1) O argumento parte do pressuposto absurdo de que todo ser humano é, ou ao menos foi, no fundo, um sanguessuga, um parasita de sua mãe. Tamanhas distorção e aversão patológica à realidade revelam uma incapacidade assustadora de simplesmente perceber a natureza das coisas e de raciocinar de acordo com ela.
 2) A rigor, levado a sério o argumento, a mulher teria direito de abortar até minutos antes de iniciar-se o trabalho de parto. Não é porque ela resolveu ser bacaninha por quase nove meses com o pequeno parasita em seu ventre que obrigatoriamente deverá suportá-lo, ainda, mais alguns minutinhos. Se ela podia desligar o corpo do bebê do seu próprio no começo da gestação, então, continua podendo desligá-lo no final, já que a situação ontológica é a mesma.
 Gostaria de saber quantos dos que adotam este argumento absurdo estariam dispostos a aceitar esta última consequência dele.
 3) Curiosamente, os que se utilizam do argumento do violinista apelam para um senso comum de moralidade com relação à situação da pessoa sequestrada e ligada ao corpo do músico. Não haveria nada de errado com isto se, ao projetar a situação para o caso de uma gravidez indesejável, imediatamente não se exigisse do interlocutor que, agora, coloque de lado este mesmo senso comum de moralidade (que impiedosamente militacontra o aborto) e fique apenas com a analogia.
 4) Mais curiosamente ainda, o argumento pressupõe que o interlocutor tome o feto como sendo um ser humano à parte da mãe e que vive à custa desta.
 Muito bom!
 Mas pergunto: como ficam as décadas de argumentação no sentido de que o feto é mera parte do corpo da mulher e que, portanto, esta pode fazer daquele o que bem entender? O feto é parte do corpo materno apenas quando convém e, quando não há tal conveniência, torna-se um ser humano à parte?
 5) Ainda que nos acusem de uma certa provocação, não podemos deixar de notar que boa parte dos argumentos em favor do aborto apelam para o “conforto” ou “vida econômica” da mulher. Então, tem-se a “analogia” melhoraria um bocadinho se fosse descrita assim: “Uma mulher deu causa (ainda que involuntária) à doença de um violinista (não nos esqueçamos que a mãe gerou o bebê em seu ventre) e mantém a vida dele; seria lícito ela abandoná-lo, matando-o, apenas para poder passear no shopping ou ir ao cabeleireiro?”
 Haveria ainda outros pontos a serem destacados, mas fico com estes.
 Como se vê, o argumento varia de estapafúrdio a intelectualmente desonesto. E o simples fato de que defensores do aborto façam uso dele revela o quão frágil é a defesa racional deste crime. Tivessem argumentos melhores e fariam questão de não passar a vergonha de lançarem mão desta analogia equivocada.

Autor: Alexandre Semedo de Oliveira – Juiz de Direito.
Colaboração: Raquel Machado Carleial de Andrade – Juíza de Direito

[1] De plano, há de se ressaltar o caráter elitista do argumento. Note o leitor que o personagem é um “violinista famoso”, apelando-se, assim, para um caráter sentimental e subjetivista. Mudaria o argumento se o personagem fosse um “pedreiro ordinário”? Atrairia mais a simpatia do público leitor e o afastaria das conclusões desejadas pela autora da “analogia”?

[2]Fonte: http://duvida-metodica.blogspot.com.br/2010/05/o-argumento-do-violinista.html

[3] A comparação esdrúxula melhoraria um pouco se fosse revista para situar a pessoa sequestrada como tendo dado causa à “doença” do violinista. Isto porque o bebê não “existia antes de estar no útero materno” e não está lá por caso fortuito.

[4] Publicado originalmente em: https://veritasquae.wordpress.com/2015/12/28/o-aborto-e-o-argumento-do-violinista/

domingo, 28 de junho de 2015




TRADICIONALISMO VS LIBERALISMO VS TOTALITARISMO


Nota Prévia: Por Liberalismo e Totalitarismo designam-se os que o são de direita, de esquerda ou de centro, uma vez que os há de todas as orientações.

" A (linha de pensamento político) liberal centra tudo no indivíduo abstracto, bom por definição, negando qualquer valor às instituições sociais, as quais constitui¹* pelo seu Estado de papel.  
A totalitária centra tudo no Estado, tigre que engole o indivíduo, porque (considera que) qualquer liberdade deixada ao homem haveria de ser mal usada por ele e também pela sociedade, a qual substitui por organismos burocráticos.


A tradicionalista, ao invés, acolhe a liberdade individual, tanto como as funções políticas estatais. Todavia, centra o ordenamento colectivo no forjar de uma sociedade constituída por instituições autárquicas e independentes, que servem de barreira contra as extra-limitações do poder do Estado, ao mesmo tempo que põe limites às liberdades concretas dos indivíduos.

O liberalismo assume a pessoa como individualidade que se conta.
O totalitarismo transforma-a em peça da máquina colectiva.
O tradicionalismo toma-a no peso social que efectivamente tem.

O liberalismo fala de liberdade abstracta.
O totalitarismo nega a liberdade por postular a igualdade.
O tradicionalismo considera liberdades concretas, únicas, que salvaguardam a dignidade ontológica igual em todos os homens, fomentando a desigualdade ética com o estímulo à ascensão pelo serviço e pela virtude.

Para o liberalismo o homem é um número que vota.

Para o totalitarismo o homem é uma peça de colecção.
Para o tradicionalismo o homem é um ser concreto: um pai de família, um munícipe, um catedrático, um empresário, um trabalhador, um agricultor, um arquitecto ou um comerciante.

O liberalismo faz do homem um número do censo.
O totalitarismo faz do homem a peça de uma máquina.
O tradicionalismo vê os homens como seres concretos de carne e osso.

O liberalismo ignora a realidade social viva, enquadrando a sociedade num agregado de indivíduos.
O totalitarismo ignora também a realidade social, da que extrai a massa escravizada por um Estado omnipotente.
O tradicionalismo recolhe a realidade social tal como é. Sem desmoroná-la em indivíduos, nem permitir que seja absorvida pelo Estado. Por isso, o tradicionalismo é a concepção política realista por excelência.

O liberalismo dissolve o natural tecido social.
O totalitarismo substitui-o pelo rendilhado aparato estatal.
O tradicionalismo afirma a sociedade na realidade efectiva que ela é.

O liberalismo brota politicamente do optimismo antropológico e resulta logicamente em anarquia.
O totalitarismo brota politicamente do pessimismo antropológico e o seu fim inexorável é a tirania.

Ambos colocam o homem no centro do universo, positivamente os liberais, negativamente os totalitários, porque para ambos é o homem que – tanto no sim como no não – a medida de todas as coisas, a regra única do universo na determinação liberal do bom, como na determinação totalitária do mau.

O tradicionalismo vê no homem um ser sujeito à ordem universal, medido como todos os demais seres do mundo pelas regras emanadas de Deus e somente assim, por sua vez medida relativa de todas as demais coisas. Na sua concepção teocêntrica do Universo, o tradicionalismo é o único humanismo autêntico, por ser o único que não aniquila o mesmo que quer exaltar. Pois o homem está, para o tradicionalismo, no justo meio: com Deus por cima e tudo o mais por baixo. Mas não no lugar de Deus como está no liberalismo, nem no lugar das coisas como está no totalitarismo.

O liberalismo renega a história humana, refazendo-a sobre os moldes da história natural.
O totalitarismo destrói a história humana, ao destruir o indivíduo racional e livre que a faz, por considera-lo membro de uma colmeia ou de uma termiteira. 

O tradicionalismo é o único a aceitar a história humana na integridade dos seus resultados, precisamente porque separa o homem dos animais ao reconhecer-lhe o seu posto primordial no conjunto dos seres criados. "


¹* - alusão à distinção entre instituição e constituição.


- Traduzido e adaptado da obra “Que es el Carlismo?” do “Centro de Estudios Sociales y Políticos General Zumalacárregui”, Escelicer (1971), Edição a cargo de Francisco Elías de Tejada, Rafael Gambra e Francisco Puy.


Você sabia que o Canadá é um dos primeiros países do mundo a reconhecer legalmente o casamento homossexual? Isso já faz mais de 10 anos! Muitas pessoas acreditam que o casamento homossexual apenas equipara direitos e não fere a liberdade de ninguém. Na realidade, ele redefine o próprio conceito de matrimônio, paternidade, educação e acaba tendo consequências muito práticas da vida de todo cidadão. O casamento gay é apenas a primeira linha de uma longa agenda ativista de metas que visa em última instância uma reorganização de toda a sociedade. Se você acha que isso não é do seu interesse, talvez se surpreenda com o relato abaixo. 

Fonte: http://www.thepublicdiscourse.com/2015/04/14899/
Tradução livre.

Um alerta vinda do Canadá


Nos é dito todos os dias que “permitir a casais do mesmo sexo o acesso a designação de casamento não irá retirar o direito de ninguém”. Isto é uma mentira.

Quando o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi legalizado no Canadá em 2005, a paternidade foi imediatamente redefinida. A Lei do Casamento Gay Canadense (Bill C-38) incluiu a determinação de apagar o termo “paternidade biológica” e a substituir por todo o país com o termo “paternidade legal” através de uma lei federal. Agora todas as crianças possuem apenas “pais legais”, como definido pelo Estado. Apagando através da força legal a paternidade biológica, o Estado ignora um dos direitos mais básicos das crianças: o direito imutável, inalienável e intrínseco de conhecerem e serem formados pelos seus pais biológicos. 

Pais e mães trazem a seus filhos dons únicos e complementares. Muito ao contrário da lógica do casamento entre pessoas do mesmo sexo, a identidade sexual dos pais importa muito para um desenvolvimento saudável das crianças. Sabemos, por exemplo, que a maioria dos homens encarcerados não tiveram a companhia de seus pais em casa. Pais pela sua própria natureza e identidade são seguros, estimulam disciplina e traçam limites, apontam direções claras ao mesmo tempo que sabem assumir riscos, se tornando assim um exemplo aos seus filhos para toda a vida. Mas pais não podem gerar crianças num útero, dar a luz e amamentar bebês em seus peitos. Mães criam seus filhos de uma maneira única e de uma forma tão benéfica que não podem ser replicados pelos seus pais. 

Não é preciso um cientista espacial para sabermos que homem e mulher são anatomicamente, biologicamente, fisiologicamente, psicologicamente, hormonalmente e neurologicamente diferentes entre sí. Essas características únicas proporcionam benefícios perenes para suas crianças e não podem ser replicados por “pais legais" do mesmo sexo, mesmo quando esses se esforcem para agir em diferentes papéis numa clara tentativa de substituir a identidade sexual masculina ou feminina faltante nesta casa. 

Com efeito, o casamento entre pessoas do mesmo sexo não apenas priva crianças de usufruir seu direito a paternidade natural, mas dá ao Estado o poder de sobrepor a autonomia dos pais biológicos, o que significa que os direitos dos pais foram usurpados pelo governo. 

Crianças não são produtos que podem ser retirados de seus pais naturais e negociados entre adultos desconexos. Crianças em lares com pais homossexuais irão frequentemente negar sua aflição e fingir que não sentem falta de dos seus pais biológicos, se sentindo pressionados a falar positivamente graças as políticas LGBTs. Contudo, quando uma criança perde um de seus pais biológicos devido a morte, divórcio, adoção ou a reprodução artificial, eles experimentam um vazio doloroso. Foi exatamente isso quando nosso pai homossexual trouxe seu parceiro do mesmo sexo para dentro de nossas vidas. Seus parceiros não poderão nunca substituir a ausência de um pai biológico. 

No Canadá, é considerado discriminatório dizer que casamento é entre homem e mulher ou até que cada criança deveria conhecer e ser criado por seus pais biológicos unidos em casamento. Não é apenas politicamente incorreto, você também pode ser multado legalmente em dezenas de milhares de dólares e mesmo forçado a passar por “tratamentos de sensibilidade”. 

Qualquer pessoa que se sentir ofendido por qualquer coisa que você tenha dito ou escrito pode fazer uma reclamação para a Comissão de Direitos Humanos ou mesmo nos Tribunais de Justiça. No Canadá, essas organizações fiscalizam o que é dito, penalizando cidadãos por qualquer expressão contrária a um comportamento sexual em particular ou a grupos protegidos identificados como de “orientação sexual”. Basta uma única queixa contra uma pessoa para que esta seja intimada diante de um tribunal, custando ao acusado dezenas de milhares de dólares em taxas legais pelo simples fato de ter sido acusado. Essas comissões possuem poder para entrar em residências privadas e a remover qualquer item pertinente as suas investigações em busca de evidências de “discurso de ódio”. 

O acusador que faz a queixa tem todas as suas custas processuais pagos pelo governo. Mas não o acusado que faz a sua defesa. E mesmo que este prove sua inocência ele não pode ter reembolso das custas processuais. E se é condenado, também precisará pagar por danos à pessoa que fez a queixa.

Se as suas crenças, valores e opiniões políticas forem diferentes daquelas endossadas pelo Estado, você assume o risco de perder sua licença profissional, seu emprego e até mesmo seus filhos. Veja o caso do grupo Judeu-Ortodoxo Lev Tahor. Muitos dos seus membros, que estiveram envolvidos numa batalha sobre a custódia de crianças aos cuidados de serviços de proteção tiveram de deixar a cidade de Chatham, Ontario, para a Guatemala em março de 2014, como uma forma de escapar da perseguição jurídica contra suas crenças religiosas, que não estava de acordo com as políticas regionais sobre educação religiosa. Dos mais de 200 membros deste grupo religioso, restaram apenas 6 famílias na cidade de Chatham.

Pais podem esperar interferência estatal quando se trata de valores morais, paternidade e educação - e não apenas lá nas escolas. O Estado tem acesso a sua casa para supervisionar você como pai para julgar sua adequação educativa. E se o Estado não gostar do que você está ensinando aos seus filhos, o Estado irá fazer o necessário para remover seus filhos de sua casa. 

Professores não podem fazer comentários em suas redes sociais, escrever cartas para editores, debater publicamente, ou mesmo votar de acordo com suas consciências mesmo fora do ambiente profissional. Eles podem ser “disciplinados”, sendo obrigados a participar de aulas de re-educação ou mesmo de treinamentos de sensibilidade, quando não acabam demitidos por seus pensamentos politicamente incorretos. 

Quando o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi criado no Canadá, a linguagem de gênero-neutro se tornou legalmente obrigatório. Essa “novílingua” proclama que é discriminatório assumir que um ser humano possa ser masculino ou feminino, ou mesmo heterossexual. Então, para ser inclusivo, toda uma nova linguagem de gênero-neutro passou a ser usado pela mídia, pelo governo, em ambientes de trabalho, e especialmente em escolas, que querem evitar a todo custo serem recriminadas como ignorantes, homofóbicas ou discriminatórias. Um curriculum especial vem sendo usado em muitas escolas para ensinar os alunos como usar apropriadamente a linguagem do gênero-neutro. Sem o conhecimento de muitos pais, o uso de termos que descrevem marido e esposa, pai e mãe, dia dos Pais e das Mães, e mesmo “ele” e “ela” estão sendo radicalmente erradicados das escolas canadenses. 

Organizadores de casamento, donos de salões de festas, proprietários de pousadas, floristas, fotógrafos e boleiros já viram suas liberdades civis e religiosas bem como seus direitos a objeção de consciência destruídas no Canadá. Mas isso não está reduzido apenas a indústria do casamento. Qualquer empresário que não tiver uma consciência em linha com as decisões do governo sobre orientação sexual e suas leis de não-discriminação de gênero, não terá permissão de influenciar suas práticas profissionais de acordo com suas próprias convicções. No final das contas, é o Estado quem basicamente dita o que e como os cidadãos podem se expressar. 

A liberdade para pensar livremente a respeito do casamento entre homem e mulher, família e sexualidade é hoje restrita. A grande maioria das comunidades de fé se tornaram “politicamente corretas” a fim de evitar multas e cassações de seus status caritativos. A mídia canadense está restrita pela Comissão Canadense de Rádio, Televisão e Telecomunicações. Se a mídia publica qualquer coisa considerada discriminatória, suas licenças de transmissão podem ser revogadas, bem como serem multadas e sofrerem restrições de novas publicações no futuro.

Um exemplo de cerceamento e punição legal sobre opinões discordantes a respeito da homossexualidade no Canadá envolve um caso chamado Case of Bill Whatcott, que foi preso por “discurso de ódio” em abril de 2014 após este distribuir panfletos com críticas ao comportamento homossexual. Independente se você concorda ou não com o que este homem disse, você deveria se horrorizar a este ato de sanção estatal. Livros, DVDs e outros materiais também podem ser confiscados nas fronteiras canadenses se tais conteúdos forem considerados “odiáveis”. 

Os americanos precisam se preparar para o mesmo tipo de vigilância estatal se sua Suprema Corte decidir legislar e banir o casamento como uma instituição feita entre homem e mulher. Isso significa que não importa o que você acredite, o governo terá toda liberdade para regular suas opiniões, seus escritos, suas associações e mesmo se você poderá ou não expressar sua consciência. Os americanos precisam entender que a meta final para muitos ativistas do movimento LGBT envolve um poder centralizado estatal - e o fim das liberdades previstas na primeira emenda constitucional. 

Dawn Stefanowicz é autora e palestrante internacional. Ela foi criada por pais homossexuais, e foi ouvida pela Suprema Corte Norte Americana. Ela é membro do Comitê Internacional de Direito Infantil. Seu livro, Out from Under: O impacto da paternidade homossexual, está disponível em  http://www.dawnstefanowicz.org/



terça-feira, 7 de abril de 2015

Nota editorialA morte do filósofo e escritor espanhol Julián Marías, em dezembro de 2005, foi pouco notada no Brasil. Discípulo de José Ortega y Gasset, Marías foi responsável por introduzir milhares de jovens e adultos no mundo da filosofia, versando sobre assuntos complexos com brilhante profundidade e simplicidade. Neste artigo publicado em 1983 na revista Cuenta y Razón, (traduzido com exclusividade para o MSM), Marías lida com a questão social que, de todas, considerava a mais grave: a aceitação do aborto voluntário.
***
A espinhosa questão do aborto voluntário que nos últimos anos adquiriu uma amplitude descomunal, até converter-se em uma das questões mais urgentes nas sociedades ocidentais, pode ser proposta de diversas maneiras. Entre os que consideram a inconveniência ou ilicitude do aborto, a posição mais freqüente é a religiosa. Sem dúvida que, para os cristãos (às vezes, de maneira mais estreita, para os católicos), o aborto pode ser ilícito mas não se pode impor a uma sociedade inteira uma moral “particular”. Quer dizer, os argumentos fundados na fé religiosa não são válidos para os não crentes.
Raramente se investiga se os argumentos assim propostos, ainda que procedendo de uma maneira cristã de ver a realidade, não têm força de convicção inclusive prescindindo dessa origem; o fato é que todos os que não participam dessa crença os repudiam e consideram que não lhes podem levar em conta. E os fatos devem ser considerados.
Há outra posição que pretende ter validade universal, que é a científica. As razões biológicas, concretamente genéticas, são tidas como demonstráveis, inteiramente fidedignas, conclusivas para todos. Certamente essas razões têm valor muito alto, e devem ser levadas em conta, mas suas provas não são acessíveis à imensa maioria dos homens e mulheres, que as admitem por fé (isto é, por fé na ciência, pela validade que ela tem no mundo atual).
Há outro fator que me parece mais grave a respeito da posição científica da questão: depende do estado atual da ciência biológica, dos resultados da mais recente e avançada investigação. Quero dizer que o que hoje se sabe, não se sabia antes. Os argumentos dos biólogos e geneticistas, válidos para o que conhece estas disciplinas e para os que participam da confiança nelas, não foram válidos para os homens e mulheres de outros tempos, inclusive muito recentemente.
Creio que faz falta uma posição elementar, ligada à mera condição humana, acessível a todos, independente de conhecimentos científicos ou teológicos que poucos possuem. É forçoso propor uma questão tão importante, de conseqüências práticas decisivas, que afeta a milhões de pessoas e à possibilidade de vida de milhões de crianças que nascerão ou deixarão de nascer, de uma maneira evidente, imediata, fundada no que todos vivem e entendem sem interposição de teorias (que às vezes impedem a visão direta e provocam desorientação).
Esta visão não pode ser outra senão a antropológica, fundada na mera realidade do homem tal como se vê, se vive, se compreende a si mesmo. Temos, pois, de tentar retroceder ao mais elementar, que não tem pressupostos de nenhuma ciência ou doutrina, que apela unicamente à evidência e não pede mais que uma coisa: abrir os olhos e não colocar-se de costas para a realidade.
Trata-se da distinção decisiva entre coisa pessoa. Bem, dito assim pode parecer coisa de doutrina. Por verdadeira e justificável que seja, evitemo-la. Limetemo-nos a algo que faz parte de nossa vida mais elementar e espontânea: ouso da língua.
Todo mundo, em todas as línguas que conheço, distingue, sem a menor possibilidade de confusão, entre que e quem,algo alguémnada ninguém. Se entro em uma casa onde não há nenhuma pessoa, direi: “não há ninguém”, mas não me ocorrerá dizer: “não há nada”, porque pode estar cheia de móveis, livros, lustres, quadros. Se se ouve um grande ruído estranho, me alarmarei e perguntarei: “O que é isso?”. Mas se ouço batidas na porta, nunca perguntarei “o que é?” mas sim “quem é?”. Apesar disso, a ciência e mesmo a filosofia estão há dois milênios e meio fazendo a pergunta: “Que é o homem?”, com a qual pelo menos derrubaram a estrutura de uma resposta errada, porque só de maneira muito secundária é o homem um “que”; a pergunta certa e pertinente seria: “Quem é o homem?”, ou, com mais rigor e adequação: “Quem sou eu?”.
Claro, “eu” ou “tu”, ou “ele” sempre que se entenda de maneira inequivocamente pessoal. É significativo que os pronomes de primeira e segunda pessoa (eu, tu) têm somente uma forma, sem distinção de gênero, enquanto que o da terceira pessoa admite essa distinção, e inclusive com dois gêneros (ele, ela). Quem fala e a quem se fala são realidades imediatas e pessoas, e seu gênero é evidente na ação mesma, mas não é assim quando se fala dealguém no presente (e, ademais, se pode falar de algo).
O que isso tem a ver com o aborto? O que me interessa aqui é ver o que é, em que consiste, qual é a sua realidade. O nascimento de uma criança é uma radical inovação de realidade: a aparição de uma realidade nova. Dirão talvez que não é propriamente nova, uma vez que se deriva ou vem de seus pais. Direi que é verdade e muito mais: dos pais, dos avós, de todos os antepassados; e também do oxigênio, nitrogênio, hidrogênio, carbono, cálcio, fósforo e todos os demais elementos que intervêm na composição de seu organismo. O corpo, o psíquico, até o caráter vem daí e não é algo rigorosamente novo.
Diremos que o que a criança é se deriva de tudo isso que enumeramos, é reduzível a isso. É uma “coisa”, certamente animada e não inerte, diferente de todas as demais, em muitos sentidos única, mas uma coisa. Desse ponto de vista, sua destruição é irreparável, como quando se quebra uma peça que é exemplar único. Todavia, isso não é o importante.
O que é a criança pode “reduzir-se” a seus pais e ao mundo; mas a criança não é o que é. É alguém. Não um que, mas um quem, alguém a quem se diz tu, que dirá no momento certo, dentro de algum tempo, eu. E este quem éirreduzível a tudo e a todos, aos elementos químicos e a seus pais, e a Deus mesmo, se pensarmos nele. Ao dizer “eu”, enfrenta-se com todo o universo, contrapõe-se polarmente a tudo o que não é ele, a tudo o mais (incluindo, claro, o que é).
É um terceiro absolutamente novo, que se soma ao pai e à mãe. E é tão distinto do que é, que dois gêmeos univitelinos, biologicamente indiscerníveis e que podemos supor “idênticos”, são absolutamente distintos entre si e a cada um dos demais; são, sem a menor sombra de dúvida, “eu” e “tu”.
Quando se diz que o feto é “parte” do corpo da mãe, se diz uma grande falsidade, porque não é parte: está alojadonela, melhor ainda, implantado nela (nela e não meramente em seu corpo). Uma mulher dirá: “estou grávida”, nunca “meu corpo está grávido”. É um assunto pessoal por parte da mãe.
Ademais, e sobretudo, a questão não se reduz ao que, senão a esse quem, a esse terceiro que vem e que fará com que sejam três os que antes eram dois. Para que isto seja mais claro ainda, pensemos na morte. Quando alguém morre, nos deixa sós; éramos dois e agora não há mais que um. Inversamente, quando alguém nasce, há três em vez de dois (ou, se for o caso, dois em vez de um).
Isto é o que se vive de maneira imediata, o que se impõe à evidência sem teorias, o que refletem os usos da linguagem. Uma mulher diz: “vou ter um filho”; não diz: “tenho um tumor”. (Quando uma mulher acredita estar grávida e verifica que o que tem é um tumor, sua surpresa é tal que mostra até que ponto se trata de realidades radicalmente diferentes).
A criança não nascida ainda é uma realidade vindoura, que chegará se não a pararmos, se não a matarmos no caminho. Mas se investigarmos bem as coisas, isso não é exclusivo da criança antes do nascimento: o homem é sempre uma realidade vindoura, que vai se fazendo e realizando, alguém sempre inconcluso, um projeto inacabado, um argumento que tende a uma solução.
E se dissermos que o feto não é um “quem” porque não tem uma vida “pessoal”, então teríamos que dizer o mesmo da criança já nascida durante muitos meses (e do homem durante o sono profundo, da anestesia, da arteriosclerose avançada, da extrema senilidade, sem dizer do estado de coma).
Às vezes lançam mão de uma expressão de refinada hipocrisia para denomiar o aborto provocado; dizem que é a “interrupção da gravidez”. Os partidários da pena de morte teriam suas dificuldades resolvidas: para que falar de tal pena, de tal morte? A forca ou o garrote podem chamar-se “interrupção da respiração” (e basta um par de minutos); já não há mais problema. Quando provoca-se o aborto ou enforca-se alguém, não se interrompe a gravidez ou a respiração; em ambos os casos mata-se alguém.
E, claro, é uma hipocrisia ainda maior considerar que há diferença em que lugar do caminho se encontra a criança, a que distância em semanas ou meses dessa etapa da vida que se chama nascimento será surpreendida pela morte.
Consideremos outro aspecto da questão. Com freqüência se afirma a licitude do aborto quando se julga queprovavelmente aquele que vai nascer (ou que iria nascer) seria anormal, física ou psiquicamente. Mas isso implica que o que é anormal não deve viver, já que essa condição não é provável, senão segura. E teríamos de estender a mesma norma ao que chega a ser anormal por acidente, enfermidade ou velhice. Se temos tal convicção, então temos de sustentá-la com todas as suas conseqüências. Esta situação não é nova; já foi aplicada, e com grande amplitude, na Alemanha hitlerista, há meio século, com o nome de eugenia prática.
O que me interessa é entender o que é aborto. Com incrível freqüência mascara-se sua realidade com seus fins. Quero dizer que tentam identificar o aborto com certos propósitos que pareçam valiosos, convenientes ou pelo menos aceitáveis: por exemplo, o controle populacional, o bem-estar dos pais, a situação da mãe solteira, as dificuldades econômicas, a conveniência de dispor de tempo livre, a melhoria da raça. Poder-se-ia investigar em cada caso a veracidade ou a justificação desses mesmos fins (por exemplo, foi feita uma campanha abortista em uma região da América do Sul de 144.000 quilômetros quadrados de extensão e 25.000 habitantes, isto é, despovoada). Mas o que quero mostrar é que esses fins não são o aborto.
O correto seria dizer: para isso (para conseguir isso ou aquilo) deve-se matar tais pessoas. Isto é o que se propõe, o que em tantos casos se faz em muitos países na época em que vivemos. Esta é a significação antropológica dessa palavra tão usada e abusada, que se escreve mais vezes em um só dia do que em qualquer outra época em um ano.
E mais uma prova de como se pensa o tema do aborto, eliminando arbitrariamente a condição pessoal do homem, o caráter de quem se fala, é que em muitas legislações sobre o assunto – sem irmos mais longe, a que se propõe atualmente na Espanha – se prescinde inteiramente do pai. Atribui-se a decisão exclusivamente à mãe (a palavra não parece inteiramente apropriada, seria mais adequado falar da fêmea grávida), sem que o pai tenha nada a dizer. Isto é, mesmo no caso em que o pai seja perfeitamente conhecido e legítimo, por exemplo, se se trata de uma mulher casada, é ela e somente ela é quem decide, e se sua decisão é abortar, o pai não pode fazer nada para que não matem a seu filho.
Isto, claro, não se diz assim; tende-se a não dizê-lo, a passar por alto, para que não se advirta o que significa. Em uma época em que se fala tanto da “mulher objeto” – não sei se alguma vez chegou a ser assim; suspeito que sempre a viram como “sujeito” (ou “sujeita”) –, um caminho foi aberto na mente de inúmeras pessoas a interpretação da criança -objeto, da criança-tumor, que se pode extirpar como um crescimento nojento. Trata-se de obliterar literalmente o caráter pessoal do humano. Para isso fala-se do “direito de dispor do próprio corpo”. Mas, além da criança não ser o corpo do mãe, senão que é alguém corporalmente implantado na realidade corporal de sua mãe, é que esse suposto direito não existe. A ninguém se permite a mutilação: se eu quero cortar minha mão num golpe só, os outros, e em última instância o poder público, me impedirão; sem falar no caso de querer cortar a mão de outrem, mesmo com seu consentimento. E se quero me atirar da janela ou de um terraço, a polícia e os bombeiros acudir-me-ão e pela força me impedem de realizar esse ato, do qual me pedirão explicações.
O núcleo da questão é a negação do caráter pessoal do homem. Por isso oculta-se a paternidade; por isso reduz-se a maternidade ao estado de suportar um crescimento intruso que pode ser eliminado. Descarta-se todo uso possível doquem, dos pronomes tu eu. Tão logo apareçam, toda o castelo erguido para justificar o aborto rui como uma monstruosidade.
Por acaso não se trata precisamente disso? Não estará em curso um processo de despersonalização, isto é, dedesumanização do homem e da mulher, as duas formas irredutíveis, mutuamente necessárias em que se realiza a vida humana?
Se as relações de maternidade e paternidade forem abolidas, se a relação entre os pais for reduzida a uma mera função biológica sem duração para além do ato de geração, sem nenhuma significação pessoal entre as três pessoas implicadas, que ocorre de humano em tudo isso? E se isso se impõe e se generaliza, se em fins do século XX a humanidade vive de acordo com esses princípios, não estará comprometida, quem sabe até quando, essa mesma condição humana?
Por isso me parece que a aceitação social do aborto é, sem exceção, o que de mais grave tem acontecido neste século que vai chegando ao fim.

terça-feira, 31 de março de 2015

        A HISTÓRIA DA CONQUISTA AO VOTO FEMININO





No Brasil, o movimento pelo voto feminino partiu de um homem, o constituinte, médico e intelectual baiano César Zama. Ele era um cristão conservador. Apesar de sua importância na luta pelo voto feminino, ele ficou mais conhecido por sua luta pelo fim da escravidão.


1) Os republicanos que lutaram pelo voto feminino eram o que hoje chamamos de direita

Em 1870, houve o Manifesto Republicano, declaração publicada pelos membros dissidentes do Partido Liberal. Em 1873, houve a Convenção de Itu, com representantes republicanos das classes conservadora e liberal e dali surgiria o primeiro partido republicano organizado, que posteriormente se aliaria aos militares e à igreja católica, culminando com a Proclamação da República do Brasil em 1889. Em outubro de 1897, o Partido Republicano declarou que estava constituído pelo que havia de mais acentuadamente conservador na opinião republicana do país.

2) César Zama, um homem cristão, burguês, liberal, branco, heterossexual, cisgênero e de direita, iniciou a luta pelo sufrágio feminino brasileiro.

Na sessão de 30 de setembro de 1890, durante a elaboração da primeira Constituição republicana, César Zama defendeu o sufrágio universal, a fim de que as mulheres pudessem participar efetivamente da vida política do país. No ano seguinte, outro constituinte, Almeida Nogueira, seguiu César Zama e também defendeu a participação das mulheres como eleitoras.

3) As constituições brasileiras não impediam o voto feminino, mas impediam o de alguns religiosos

Na sessão de 2 de janeiro de 1891, Almeida Nogueira lembrou a todos que não havia legislação que restringisse os direitos de voto feminino e o projeto da nova Constituição também não cerceava esse exercício cívico. A constituição em vigor naquela data era a Constituição do Império de 1824 e determinava que as eleições eram censitárias e indiretas, mas não impedia oficialmente as mulheres de votar. Em vez disso, você encontra que a constituição impedia o voto de alguns religiosos que viviam em comunidade claustral. Você pode lê-la na íntegra no link: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao24.htm

Já a Constituição da República de 1891 veio a determinar que seriam eleitores os cidadãos maiores de 21 anos que se alistassem e que excetuava-se o alistamento de mendigos, analfabetos, praças e alguns religiosos sujeitos a voto de obediência. Você pode conferir no link: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao91.htm

4) Tinha direito ao voto aquele que tinha o dever de ir para a guerra

No Brasil, assim como no resto do mundo ocidental, o direito ao voto estava vinculado com o alistamento no exército. Era um consenso daqueles tempos que, se você tivesse o dever de ir à guerra para proteger o seu país, deveria ter também o direito de escolher quem seria seu líder. Os poderes estavam vinculados com as responsabilidades e homens e mulheres tinham diferentes direitos por terem diferentes deveres. A Suprema Corte dos Estados Unidos em 1918 afirmou explicitamente isso, como você pode ver no link: https://supreme.justia.com/cases/federal/us/245/366/case.html.

Na época, muitas mulheres se manifestaram contrárias ao voto feminino pois estavam com medo de que futuramente tivessem que se alistar no exército e ir para a guerra da mesma maneira que os homens. Essa ideia teve que ser derrubada para que a luta pelo voto tivesse apoio da maioria feminina. Entre os primeiros países a permitirem o voto feminino, diversos deles apenas o permitiram às mulheres alistadas ao exército e até hoje há países em que os homens só podem votar se estiverem alistados. Há também exemplos de países em que os homens são obrigatoriamente alistados no exército em uma idade inferior àquela em que poderão escolher seus líderes. Diferentemente do que podíamos imaginar, foram as mulheres que obtiveram mais facilidades em conquistar os seus direitos.

5) O Brasil quase foi o primeiro país a dar o voto à mulher

Lopes Trovão (signatário do Manifesto Republicano), ao se discutir a Declaração de Deveres, defendeu com afinco a causa da oficialidade do voto feminino. Em 1891, no primeiro dia do ano, 31 constituintes assinaram uma emenda ao projeto de Constituição, de autoria de Saldanha Marinho (também signatário do Manifesto Republicano), conferindo o voto à mulher brasileira. A pressão contrária, porém, foi tão grande que Epitácio Pessoa, que havia subscrito a emenda, dez dias depois, retirou o seu apoio e o Brasil deixou de ser o primeiro país do mundo a conceder o direito do voto à mulher. Em 1893, a Nova Zelândia venceu a corrida, liderada pela religiosa Kate Sheppard. No ano de 1894, foi promulgada a Constituição Política da cidade de Santos, quando novamente houve uma tentativa de conferir direitos políticos às mulheres, derrubada por pressão dos cidadãos.

Havia muita discussão quanto à inconstitucionalidade do veto ao voto feminino, entretanto, mesmo sem uma constituição que impedisse nem que confirmasse o direito, três mulheres se alistaram e chegaram a votar em Minas Gerais no ano de 1905, tendo seus votos posteriormente anulados.

6) Republicanas fundaram um partido sufragista

Em 1910, a professora Leolinda Daltro, considerando que a Constituição de 1891 era omissa quanto ao voto feminino, requereu alistamento eleitoral e teve seu pedido negado. Reagiu reunindo-se a dezenas de colaboradoras, a maior parte delas professoras também, para formar uma associação civil denominada Partido Republicano Feminino. Você pode ver um registro histórico aqui:http://lhs.unb.br/bertha/wp-content/uploads/2013/09/O-Malho-24-jun-1911-Part-Repub.jpg

7) A primeira eleitora confessa que foi tudo obra de seu marido

Novas tentativas na forma de emendas surgiram em 1917, 1920 e 1921, vindas de diversos autores. Em 1927, o Presidente Washington Luís, do Partido Republicano Paulista, manifestou-se a favor do voto às mulheres. Em 25 de outubro do mesmo ano, o Rio Grande do Norte aprovou a Lei 660 e foi o primeiro Estado brasileiro a conceder o voto à mulher, através de um projeto do deputado Juvenal Lamartine de Faria. Em 1928, a professora Celina Guimarães Vianna solicitou alistamento eleitoral e tornou-se a primeira eleitora da América do Sul. A catedrática Júlia Alves Barbosa já havia requerido a inclusão no alistamento eleitoral um dia antes de Celina, entretanto seu deferimento acabou sendo aprovado depois. Veja a confissão da primeira eleitora da América do Sul diante de sua importância histórica:

“Eu não fiz nada! Tudo foi obra de meu marido, que empolgou-se na campanha de participação da mulher na política brasileira e, para ser coerente, começou com a dele, levando meu nome de roldão. Jamais pude pensar que, assinando aquela inscrição eleitoral, o meu nome entraria para a história. E aí estão os livros e os jornais exaltando a minha atitude. O livro de João Batista Cascudo Rodrigues — A Mulher Brasileira – Direitos Políticos e Civis — colocou-me nas alturas. Até o cartório de Mossoró, onde me alistei, botou uma placa rememorando o acontecimento. Sou grata a tudo isso que devo exclusivamente ao meu saudoso marido.”

Entretanto, a Comissão de Poderes do Senado Federal requereu a anulação de todos os votos femininos, considerando-os inapuráveis.

8) A primeira mulher eleita era republicana

A primeira prefeita do Brasil, Alzira Teixeira Soriano, foi eleita no município de Lages pelo Partido Republicano Federal, tornando-se a primeira mulher da América Latina a assumir o governo de uma cidade.

Através do Decreto nº. 21.076, de 24 de fevereiro de 1932, o Presidente Getúlio Vargas resolve que todas as restrições às mulheres seriam suprimidas e é instituído o Código Eleitoral Brasileiro, que disciplinava que era eleitor o cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo, alistado na forma do código. Entretanto, não havia obrigatoriedade no voto feminino, mas existia no masculino, do mesmo modo que o alistamento no exército.

9) No resto do mundo, o voto feminino também foi uma luta dos movimentos de direita

Nos Estados Unidos, foi o Partido Republicano (direita conservadora) o primeiro grande partido a defender o sufrágio feminino. Mulheres sufragistas carregavam a bandeira de Gadsden que simboliza o liberalismo, o libertarianismo e também o patriotismo americano, como você pode ver na seguinte foto: http://www.libertarianismo.org/wp-content/uploads/ladys-dont-tread-on-me1-620x350.jpg

A primeira mulher eleita ao Congresso foi a conservadora republicana Jeanette Rankin de Montana, em 1917. Na Inglaterra, o famoso liberal John Stuart Mill apresentou em 1866 uma emenda que dava o direito do voto à mulher inglesa, mas foi derrotado. Na Nova Zelândia, o primeiro país do movimento sufragista a permitir o voto feminino, a conquista se deu graças à Women's Christian Temperance Union que tinha como liderança a religiosa Kate Sheppard.

Diferentemente do Brasil e dos EUA, em Portugal, os republicanos se oporam ao voto feminino, pois a ideologia republicana portuguesa estava vinculada com o anticlericalismo e a mulher naquele contexto era considerada extremamente religiosa e reacionária. Isso mesmo: em Portugal, quem era contra o movimento sufragista usava como argumento justamente o que o feminismo marxista usa hoje contra seus opositores. Leiam esse trecho do Diário do Senado de 24/06/1912:

“(…) No dia em que este assunto foi discutido na comissão, tinha eu passado pela igreja de S. Mamede, donde vi sair centenas de senhoras que ali tinham ido entreter os seus ócios e ilustrar o espírito na prática do mês de Maria. O voto concedido a mulheres nestas condições, vivendo sob a influência do clericalismo, seria o predomínio dos padres, dos sacristães, numa palavra, dos reaccionários (…)”

Existe a ideia errada de que as mulheres nunca participaram da política antes dos movimentos sufragistas. Na Idade Média, as mulheres participavam das funções públicas em diversos países e por vezes até mesmo votavam. Por ocasião dos Estados Gerais de 1308, as mulheres são citadas explicitamente entre as votantes em diversas partes do território francês. Com o fim da Idade Média, no final do século XVI a mulher foi afastada das funções públicas.

10) Considerações finais

Uma das principais características que diferencia o movimento sufragista do feminismo marxista atual é o fato de que o primeiro movimento reivindicava poderes políticos sem se posicionar contra o papel tradicional feminino e tampouco o considerava inferior, enquanto o movimento atual considera o papel masculino superior ao feminino, rejeita a feminilidade e acusa de machistas justamente aqueles que se opõem à essas ideias.

Não se esqueça, então: na próxima vez que encontrar uma feminista marxista atacando os reacionários, os conservadores e o cristianismo, diga-lhe para ser mais grata com aqueles que conquistaram o seu direito ao voto.

E se você for uma mulher conservadora, saiba que você não deve nada ao feminismo atual. Ele que deve tudo a você.

-

Algumas fontes consultadas:

http://www.al.sp.gov.br/leis/legislacao-eleitoral/mulher-voto/

http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=527%3Acelina-guimaraes-viana&catid=38%3Aletra-c&Itemid=1

Diário do Senado, 24 de junho de 1912, número 121, página 18.

Ideologia e feminismo, de Branca Moreira Alves, lançado pela Editora Vozes em1980. Páginas 94 e 95.

“Uma história que não é contada”, de Prof. Felipe Aquino, lançado pela Editora Cléofas em Março de 2008.

“Canudos: Cartas para o Barão”, organizado por Consuelo Novais Sampaio, Editora da Universidade de São Paulo, 2001.

Jornal de Notícias, 11 out. 1897 e Correio de Notícias, 26 out. 1897

Oi, Danielle, é um prazer conhecê-la http://www.youtube.com/watch?v=cjkjV17lRkk

segunda-feira, 30 de março de 2015

                    Jack Donovan - Todo Mundo é uma Prostituta






A retórica da inflação de ego está em todo lugar. No trabalho, na escola e no shopping, os americanos esperam que todos digam o quão especiais, talentosos e importantes eles são. Em nosso mundo invertido, os fracos são fortes de alguma forma, aquele que sobrevive a uma cutícula arrancada é corajoso, e todo burocrata que trabalha para o Departamento de Defesa é um maldito herói.

Na GloboCorp, o departamento de recursos humanos tenta convencer cada Joãozinho e Mariazinha que eles são absolutamente essenciais para o sucesso da empresa. Os talentos criativos de cada um são valorizados e todos, do zelador ao presidente, são capazes de fazer contribuições positivas tremendas. Em seu recente livro sobre o valor do trabalho, Matthew B. Crawford argumenta que corporações modernas desvalorizam conquistas significativas quando elas nos agradam e falam como se todo mundo fosse uma espécie de Einstein.

Os americanos gostam que seja dito que são brilhantes e corajosos, mas como um povo, esses não são mais os nossos valores mais elevados. Quem consegue nomear cinco recentes e legítimos heróis de guerra? A plebe tampouco se importa a respeito de quem é inteligente. Ela só liga para a ciência quando quer perder peso, vencer uma discussão na Internet ou descobrir como o mundo irá acabar. Se você conseguir falar agora o nome de dez caras que fazem ciência de verdade, você provavelmente é um cientista.

A maioria das pessoas sabe que elas não são Einsteins, e elas realmente não ligam para isso. Elas têm uma preocupação mais premente.

O que elas realmente estão se perguntando é: "sou gostoso(a) ou não?”.

Pessoas bonitas são os faróis mais brilhantes do nosso mundo flutuante. Modelos atraentes e atores recebem muito mais elogios e atenção do que condecorados com a Medalha de Honra. As pessoas amam tecnologia, mas a usam para "acompanhar os Kardashians". Elas lotam as academias, mas força e fitness são apenas subprodutos do seu desejo de serem desejadas. Um abdômen trincado é mais valorizado que um supino poderoso ou um agachamento com carga alta. Ninguém liga pra quanto peso Tatum Channing ou Brad Pitt conseguem levantar, ou quão rápido eles podem correr, ou o que eles são capazes de construir, ou quantos caras eles conseguem derrotar em um combate. Eles são admirados por serem desejáveis.

Antigamente, apenas as mulheres jovens se preocupavam excessivamente em serem desejadas. Em sociedades patriarcais tradicionais, uma mulher a qual nenhum homem quisesse como esposa se tornaria um fardo para seus pais. Uma mulher não desejada nunca poderia se tornar uma mãe ou administrar uma casa. Ela seria para sempre uma filha dependente ou uma independente e solitária solteirona. Para mulheres em idade de casar, a atratividade tem um valor muito alto e, embora a sua importância diminua com a idade, a maioria dos homens ainda prefere ter uma esposa bonita a uma feia. Seja por hábito ou por natureza, muitas mulheres tendem a gostar de se pintarem e se adornarem para parecerem mais jovens, férteis, femininas e atraentes.

No entanto, de todas as mulheres, a que mais se importa em ser desejada é a prostituta, porque sua sobrevivência depende da sua habilidade de fisgar os homens para dentro de seus quadris.

Alguns apontarão para a ornamentação masculina como um contraexemplo, mas a motivação por trás do embelezamento masculino tem sido tradicionalmente diferente. Quando os homens se ornamentavam, eles o faziam para parecerem mais temíveis ou para comunicar status. O Samurai usava vermelho, e como em muitos pontos mais delicados da higiene samurai, eles o faziam para que seus inimigos os respeitassem como oponentes viris, mesmo depois que fossem mortos. Eles não “davam um trato no visual” para transar. Eles o faziam para ganhar o respeito de outros homens.

No fim de semana passado, um filme sobre strippers masculinos faturou $39,2 milhões de dólares nas bilheterias. A América percorreu um longo caminho desde Flashdance.

Em The Way of Men, eu usei bonobos e chimpanzés para comparar a sociedade orientada para o sexo feminino com a sociedade orientada para o sexo masculino. Pessoas não são exatamente a mesma coisa que macacos, mas eu acho que chimpanzés e bonobos fazem metáforas reveladoras para onde estivemos e para onde aparentemente estamos indo.

Os bonobos vivem luxuosamente, com acesso a tanto alimento quanto precisam. Coalizões de fêmeas reprimem a agressão masculina e os machos raramente formam grupos coesos. Os machos não sabem quem são seus pais, somente suas mães. O sexo é igual ao que a vadia de um bar disse uma vez a um amigo meu; “como um aperto de mãos". O homossexualismo é lugar-comum porque o sexo é uma atividade social e todo mundo faz sexo com todo mundo. Não se trata de reprodução; se trata de masturbação mútua e de se divertir. Costuma-se dizer que os bonobos são pacíficos, e embora isso possa não ser completamente verdadeiro, eles são definitivamente matrilineares e excepcionalmente “safados”.

Os chimpanzés formam grupos de caça patriarcais. Os machos permanecem juntos e as fêmeas acabam migrando de grupo pra grupo. O sexo é uma atividade reprodutiva. O homossexualismo é raro. Os machos dominam as fêmeas e aqueles que estão no topo da hierarquia masculina controlam todo o grupo.

A América está rapidamente se tornando a "Sociedade Masturbatória dos Bonobos", devotada ao prazer e organizada primariamente para servir aos interesses das fêmeas. Cada vez mais homens são criados por mães solteiras e os machos são desencorajados de se organizarem sem a supervisão feminina. O sexo é social e a maior parte do trabalho duro e perigoso que os homens costumavam fazer, ou é feito por máquinas "à prova de idiotas" ou é terceirizado para países onde o custo de vida é barato. Mulheres e homens desonrados microgerenciam agressões masculinas com leis e processos judiciais sem fim, e bad boys que não podem pagar por grandes advogados são chutados pra dentro de uma multibilionária indústria prisional, que ostenta a maior taxa de encarceramento do mundo.

Em nossa sociedade masturbatória de bonobos, trepar é uma das únicas coisas que os homens são encorajados a fazer que os fazem se sentirem realmente como homens.
Por todo o Alt-Right, vários autores criticam a cultura PUA e o "game". Porque praticamente a única coisa viril que os homens estão autorizados a fazer é transar, eu sou mais simpático a essas coisas. Eu vejo o que muitos chamam de game como um tipo de "acesso à masculinidade". Game é essencialmente um treinamento de assertividade para uma geração de jovens que passaram a maior parte de suas vidas brincando de "mamãe, eu posso".

Virilidade é como um talento. Alguns machos são mais dotados que outros, mas como qualquer talento, a masculinidade tem que ser pressionada e desenvolvida para significar algo impressionante. Garotos que foram criados por mães solteiras ou pais superprotetores e expostos ao sistema de lavagem cerebral feminista das escolas públicas, nunca foram postos à prova ou treinados por grupos de homens severos. Você não pode entregar um diploma de ensino médio a um guri criado a leite com pêra e ovomaltine pela mamãe e esperar que ele cuspa igual a Clint Eastwood.

Quando falam sobre game, os homens na “manosfera” estão escavando através das besteiras que o sistema diz sobre garotas aos garotos. Este é um trabalho que precisa ser feito. Se os caras medianos acreditarem na baboseira oficial que é dita sobre sexo e relacionamentos, eles serão usados e abusados pelas arrogantes e pretensiosas mulheres americanas pelo resto de suas vidas. E, na medida em que desconstroem mitos feministas sobre os sexos, eu vi muitos desses caras começarem a se perguntar o que realmente significava ser homem. Essa é uma conversa importante. Entretanto, quase parece um caminho mais seguro no clima cultural atual, fazer da perseguição à boceta uma opção de vida em longo prazo. É aí que as médias positivas deslizam em direção a um extremo negativo.

Andy Nowicki escreveu que se os homens realmente querem minar o matriarcado, eles deveriam parar de foder. Ele pode ter suas próprias motivações (possivelmente religiosas) para dizer tal coisa, mas eu acho que ele tem alguma razão nesse ponto.

Nossas feministas manipuladoras e globalistas adorariam mais do que qualquer outra coisa, manter os homens jovens – o grupo mais perigoso e potencialmente revolucionário em qualquer civilização – completamente distraídos pela boceta. E, embora possa sentir como se estivesse afirmando sua dominância (convenientemente da forma mais inofensiva possível), se tudo o que você faz serve para torná-lo mais atraente para as mulheres, você é um “vibrador ansioso”. Quando os seus músculos são apenas para exibição, quando tudo o que você faz é para torná-lo mais desejável, você está interpretando o papel feminino. Quando o seu valor como homem depende do número de mulheres que você consegue levar pra cama, você não passa de um gigolô.

Como Hunter S. Thompson notou, sexo é a maior diversão dos amadores. É maravilhoso quando você é jovem, bonito, ingênuo e despreocupado - mas "putas velhas não dão tantas risadinhas".

Mark Simpson tinha compreendido muito disso quando, lá em 1994, cunhou o termo "metrossexual". O metrossexual não é necessariamente gay ou efeminado no sentido extravagante da palavra - essa é a apenas a maneira como a palavra “pegou” entre as pessoas. A ideia de metrossexual de Simpson é de um "homem espelho" cujas maiores preocupações narcisistas são a busca do prazer e ser considerado "desejável". Ele pode estar apaixonado por si mesmo, mas isso também é um tipo de amor frívolo. Ele liga mais para a aparência e para quão bem ele fode do que para o que conquistou ou o quanto é respeitado. É uma vaidade de prostituta.

Hugh Hefner estava muito a frente do seu tempo. Foram os homossexuais que abriram caminho para o estilo de vida bonobo em massa. Antes que os PUAs de hoje estivessem na pré-escola, eles já faziam isso por causa dos números, à procura de validação, baseando seu valor próprio em "quantos" e "quão gostosos". Homossexuais rejeitaram expectativas e papéis masculinos tradicionais e canalizaram toda a sua agressão masculina para o sexo e em prol do sexo. Sua ideia de masculinidade tornou-se masturbatória - um Tom of Finland bombado, uma caricatura de forma masculina, sem função, honra ou virtude. Os homossexuais, por serem “homens”, definiram o cenário cultural para a objetificação masculina da mesma forma que os homens sempre objetificaram as mulheres.

Como bonobos desbravadores, os homossexuais descobriram as desvantagens do meretrício. Um jogador experiente estava destinado a adquirir um punhado de DSTs, e a AIDS praticamente dizimou uma geração inteira de homens "sexualmente liberados". Para muitos, existem também muitos custos psicológicos. Ser desejado é uma droga viciante. E quando esse é o seu valor mais elevado, isso se torna sua identidade. Um dos problemas – e isso sempre foi uma maldição para as mulheres – é que a atratividade sexual está ligada ao instinto de procriação, e tem seu pico na juventude. Os homens envelhecem de forma mais suave que as mulheres, mas a maioria dos homens que barganha seu “sex appeal” não alcança de forma tranquila a masculinidade da meia-idade, confiante e segura, de seus antepassados. Como os homossexuais e estrelas de cinema, eu me pergunto quantos dos “pegadores” modernos sairão em busca de esteroides, Viagra, e eventualmente se convencerão de que talvez a plástica facial de Kenny Rogers fique melhor neles do que ficou neste. (Não ficará, camaradas. Vocês ainda parecerão com uma lésbica velha que não consegue piscar). Há algo de particularmente desesperado, triste e indigno em um homem de certa idade que gasta muito tempo buscando por validação sexual.

O que é pior é que os heterossexuais não estão no mercado para os homens; eles estão no mercado para as mulheres, de modo que a biologia os coloca em grande desvantagem. O “estrategista em game” Heartiste recentemente postou sobre uma experiência de encontros online na qual os dois caras mais bonitos, em conjunto, conseguiram obter um total de 50 mensagens de mulheres, enquanto que as mulheres mais atraentes do site receberam mais de 536 mensagens de homens, no mesmo período de tempo. Esse “campo de jogo” nunca chegará perto de ver qualquer igualdade, mas o game está ganhando popularidade porque os homens enxergam essa disparidade e querem aumentar suas chances.

Homens com boa aparência e algum game podem ser capazes de manter esse ritmo pela maior parte de suas vidas e acabarão tendo boas histórias para contar. Uma pequena minoria de homens sempre foi libertina e provavelmente alguns estão particularmente bem adaptados a isso. Uns terão arrependimentos e outros não.

O problema não é o que acontece para uns poucos jogadores, mas o que nos tornamos enquanto sociedade quando todo mundo quer ser um jogador. A libertinagem costumava ser uma forma de rebeldia, mas cada vez mais ela é parte do programa. Em uma sociedade onde o sexo e a atratividade são os valores mais elevados, o que acontece com os outros dois terços da curva?

A carne não será democratizada. A atratividade não é mais uniformemente distribuída do que a força, o tamanho ou QI. O mundo é cheio de gente feia e gorda. As pessoas podem melhorar bastante com dieta, exercício e higiene – e deveriam –, mas você pode colocar batom em um porco e ainda assim ele continua sendo um porco. Alguns homens e mulheres simplesmente não têm uma boa aparência. Várias pessoas são, na verdade, bastante repulsivas. Algumas provavelmente deveriam evitar a luz do dia por completo, porque elas amedrontam as crianças pequenas.

As mulheres sempre foram conscientes do elitismo cruel da hierarquia natural da beleza. Em sociedades nas quais outras virtudes tiveram um valor maior, elas poderiam se concentrar na piedade ou simplesmente em serem boas mães. Quando as mulheres foram “sexualmente libertas”, algumas feministas (principalmente as gordas e feias) acharam que poderiam contar com o condicionamento social para dar a todos nós óculos com “visão de cerveja” permanente e tornar cada bruxa velha e inchada tão desejável quanto Heather Locklear. Se a Barbie pelo menos tivesse proporções realistas, ou se fôssemos forçados a ver mais obesos mórbidos na televisão, então, menos lágrimas cairiam nos potes de sorvete. Elas continuam a fazer pressão pela “aceitação das gordas” e continuam nos dizendo que “o volumoso é belo”. Quando isso não funciona, elas nos represam com clichés ruins e tentam nos convencer de que a beleza ou está nos olhos de quem vê ou “no interior”. Nós podemos tratá-las com condescendência ou tentar ser mais sensíveis, mas fingir que todos são igualmente belos é tão absurdo e incorreto quanto fingir que todo mundo é um Einstein.

Ninguém quer uma boneca Barbie de tornozelos obesos, e a desobjetificação das mulheres está em desacordo com o Zeitgeist da nossa ultra-sexualizada sociedade masturbatória de bonobos. Andrea Dworkin perdeu, e mais do que nunca garotas adolescentes estão assistindo pornô hardcore para aprender como rebolar, socar uma e engolir como as “profissas”. Eu vou para a academia e vejo caras que não estão ali para levantar ferro ou ficarem monstros. Eles estão seguindo treinos para “secar” e construir um corpo “para as gurias”. Essas gurias estão pegando um bronze, recebendo implantes nos seios e tentando ficar parecidas com strippers. Um amigo que ensina em uma escola da Califórnia disse que eles tiveram que cancelar o dia de Halloween porque as crianças não queriam mais ser assustadoras nem fofas. Os garotos e garotas, de modo idêntico, estavam usando o feriado como uma desculpa para irem à escola o mais próximo de nuas que era possível.

As pessoas costumavam ter aspirações mais decentes. Elas queriam formar famílias.las queriam fazer um bom trabalho. Queriam ser bons cidadãos, bons cristãos, ser uma boa pessoa. Agora todo mundo quer ser pegador e estrela pornô. Todo mundo quer ser o tipo de macaco no qual os outros macacos querem se esfregar.

Nós chamamos essa orgia matrilinear de “progresso” e buscamos a nossa redenção moral na reciclagem.

O sexo pode ser natural, e com certeza é divertido, mas é apenas uma parte da vida. Uma sociedade que põe ênfase excessiva no sexo a ponto de parecer que a única coisa que significa algo na vida é grotesca e degradada, e para a maioria das pessoas ela garante mais em um vazio do que em êxtase.

Em patriarcados saudáveis, os homens se forçam para ganhar o respeito e a admiração dos outros homens. Eles trabalham para provarem sua força, coragem e competência uns para os outros. Os homens se orgulham de sua reputação pelo domínio dos seus corpos, suas ações e seu ambiente. Eles querem ser conhecidos pelo que são capazes de fazer, não apenas por quão bem ou quem eles fodem. E com certeza eles não perdem seu tempo tentando descobrir o que eles podem fazer para impressionar uma vadia burra.

Puta merda, em alguns lugares, quando um homem está pronto para arranjar uma esposa, ele apenas escolhe uma e a sequestra. Os homens costumavam se casar e tocar suas vidas. Parece um caminho de vida mais saudável para mim e eu tenho visualizado o que o outro lado tem a oferecer.

Recentemente, eu assisti Restrepo, um documentário sobre soldados lutando no Afeganistão. Tinha uma cena onde os americanos tinham que negociar com anciões de tribos locais. Os anciões eram um bando de caras velhos com um olhar muito sério e suas longas barbas eram vermelhas brilhantes tingidas com rena.

Nossos “aliados” tribais no cemitério dos impérios têm lá seus problemas. Eles cagam nas próprias mãos e estupram garotinhos. Seus costumes deixam espaço para muitas melhorias.



No entanto, enquanto eu assistia seus olhos sérios, eu me perguntava se qualquer um daqueles homens perdeu muito tempo se perguntando, “sou gostoso ou não?”.